Negacionista francês condenado a oito meses de prisão por negar câmaras de gás

Foto: Maria João Gala / Arquivo
Um negacionista francês foi condenado esta terça-feira a oito meses de prisão pelo tribunal correcional de Paris por artigos em que nega a existência de câmaras de gás durante a II Guerra Mundial.
Já com dez condenações no seu cadastro judicial, entre 2006 e 2025, por contestação da existência de crimes contra humanidade, Vincent Reynouard voltou a ser considerado culpado por esta infração por artigos publicados no semanário de extrema-direita “Rivarol” entre outubro de 2024 e janeiro de 2025. Nos artigos em causa, o autor qualifica as câmaras de gás nos campos de concentração nazis como “propaganda soviética”.
“Ao negar a existência das câmaras de gás, símbolo da exterminação dos judeus, o detido contesta a existência da Shoah através de uma das suas principais modalidades”, considerou o tribunal. Vincent Reynouard foi também considerado culpado de injúria antissemita, por ter acusado nos mesmos textos ‘”o judeu” de ser um “agente patogénico”.
Sem residência própria, Reynouard vive com o diretor do “Rivarol”, Jérôme Bourbon. Enquanto diretor do título, que vende 1300 exemplares por semana, Bourbon, que tem 22 registos no seu cadastro judicial, foi condenado a seis meses de prisão domiciliária.
Os dois devem pagar solidariamente 1500 euros a cada parte civil, o Observatório Judeu de França, a Liga Contra o Racismo e o Antissemitismo e a Organização Judia Europeia.
A Shoah (Catástrofe em hebreu) refere-se à exterminação sistemática, feita pela Alemanha nazi e os seus colaboradores, contra o povo judeu durante a II Guerra Mundial, que levou à eliminação de seis milhões de judeus, correspondentes a dois terços dos judeus europeus e 40% da sua população mundial.