Carneiro diz ser diferente de Montenegro e defende propostas sustentáveis contra a crise
O secretário-geral do PS disse esta terça-feira que é “diferente de Luís Montenegro” quando era líder parlamentar do PSD e comprometeu-se a só apresentar medidas para combater a crise que sejam “sustentáveis do ponto de vista orçamental”.
À margem de um encontro com entidades da área do turismo, comércio e serviços, em Lisboa, José Luís Carneiro referiu que deu “indicações claras” ao grupo parlamentar do PS de que os socialistas nunca apresentem “propostas que não sejam sustentáveis do ponto de vista orçamental”.
“Este Governo tem sido especialista enquanto fonte de instabilidade, fonte de incerteza e fonte de irresponsabilidade e também na criação de bodes expiatórios. Aquilo que eu posso garantir aos portugueses é que todas as propostas que nós apresentámos até hoje são sustentáveis à luz de receitas previstas e não previstas do Estado”, respondeu aos jornalistas José Luís Carneiro.
O líder do PS considerou que era importante que o primeiro-ministro, Luís Montenegro, “fosse ouvir as declarações que fez sobre o IVA em 2022” e que visse as propostas aprovadas no parlamento, em 2009 e “à revelia”, “numa altura em que o país já estava a enfrentar uma crise internacional”.
“Na altura, o doutor Luís Montenegro era o líder parlamentar do PSD e aprovaram nove de 13 propostas, dizendo que a maioria absoluta passou a estar no parlamento, mas há uma coisa que eu posso dizer aos portugueses: é que eu não sou igual ao doutor Luís Montenegro, sou mesmo diferente do doutor Luís Montenegro e as propostas que fizer são propostas sustentáveis do ponto de vista orçamental”, comparou.
Sobre a viabilização do OE2027, o secretário-geral do PS disse apenas que continua “a aguardar a resposta” do primeiro-ministro “a uma exigência” que colocou sobre a revisão da Constituição.
“Espero que o primeiro-ministro esclareça essa questão antes de entregar o Orçamento de Estado na Assembleia da República”, insistiu, respondendo aos jornalistas que não estão previstas “reuniões nem negociações”.
A meio de agosto, na rentrée socialista em Olhão, Carneiro desafiou Montenegro a dizer de estava ou não disponível para, com o PS, garantir uma revisão constitucional que “salvaguarde valores e princípios fundamentais da Constituição”.
A indicação que deu ao grupo parlamentar do PS sobre propostas para a crise viáveis orçamentalmente é também aplicável à forma como os socialistas votam medidas de outros grupos parlamentares, de acordo com Carneiro, que insistiu que o seu partido não confunde “o parlamento com o Governo”.
“Há quem queira misturar os poderes, nós não queremos. O Governo tem o mandato para governar, nós temos o mandato para propor, para sugerir, para recomendar e para fiscalizar o executivo e foi isso que procurámos fazer com as propostas por via de recomendação política ao Governo”, disse, referindo-se ao projeto de resolução sobre medidas para mitigar o custo de vida que vai a debate esta semana, de novo, no parlamento.
Insistindo que as medidas do Governo para fazer face à crise “são insuficientes e escassas” para as necessidades dos portugueses, Carneiro remeteu para a discussão do próximo Orçamento do Estado “olhar para as prioridades políticas a que o Governo quer responder”, voltando a questionar o negócio da compra de ações da REN pelo Estado.