Chega quer António Costa a depor presencialmente em comissão de inquérito à operação Influencer

O Chega quer obrigar António Costa a depor presencialmente na comissão de inquérito à operação Influencer.
O partido entregou, esta segunda-feira à tarde, uma proposta de alteração ao Regime das comissões parlamentares, com o objetivo de obrigar antigos Presidentes da República, primeiros-ministros e presidentes da Assembleia da República a prestar esclarecimentos presencialmente “em comissões de inquérito ou atos investigatórios similares”.
Na atual versão, os atuais e antigos detentores dos cargos políticos em causa têm a opção, caso prefiram, de responder por escrito às perguntas dos deputados.
O partido considera que “não terem de se sujeitar ao escrutínio presencial, como todos os cidadãos, é um privilégio inaceitável e incompreensível face à necessidade imperiosa de escrutínio, que cada vez mais se verifica com o avanço de complexas teias de negócios público-privados, como se viu em casos como a Operação Marquês ou a Operação Influencer”.
O Chega entende que este regime de exceção só se deve aplicar aos atuais titulares dos cargos.
Já antes, o presidente do Chega, André Ventura, tinha criticado o PSD por inviabilizar uma comissão de inquérito à operação Influencer.
“Eu não vou deixar que nenhum outro assunto desvie do essencial, que é o maior partido do Parlamento [PSD] ter dito que não aceita uma comissão de inquérito com motivos fúteis, sabendo perfeitamente que há suspeitas fundadas, graves, que levaram à queda de um governo de maioria absoluta e à qual o país prefere olhar para o lado”, disse aos jornalistas André Ventura.
Em causa estava o anúncio feito na véspera por fonte da direção da bancada do PSD de que o partido não viabilizará a comissão de inquérito à Operação Influencer proposta pelo Chega, que tinha sido formalizada nesse dia, defendendo os sociais-democratas que a “política não deve invadir o espaço que cabe à justiça” nem tratar estes assuntos ao sabor de interesses partidários.
O Chega formalizou, há cerca de um mês, a proposta de constituição de um inquérito parlamentar à Operação Influencer para aferir a legalidade da intervenção do ex-primeiro-ministro António Costa em processos ligados ao lítio, hidrogénio e ao centro de dados de Sines.
Com Lusa.