Sondagem prevê abalo sísmico: PS a liderar, Chega em segundo e a AD de Montenegro em terceiro

Foto: Paulo Novais/Lusa
O PS de José Luís Carneiro em primeiro (27,9%), mas apenas oito décimas acima do Chega de André Ventura (27,1%), e a AD do primeiro-ministro Luís Montenegro a cair do primeiro para o terceiro lugar (25,7%). A mais recente sondagem da Pitagórica para a TVI/CNN prevê um verdadeiro abalo sísmico, quando comparada com o resultado das últimas legislativas, mesmo que as margens de erro apontem, na verdade, para um empate técnico. Mas há mais: a maioria dos portugueses dão nota negativa ao Governo (58%) e entendem que Luís Neves não tem condições para continuar ser ministro da Administração Interna (65%).
Os primeiros resultados desta “tracking poll” semanal foram apresentados na segunda-feira à noite e, se estivéssemos em tempo de eleições, o país seria confrontado com resultados bem diferentes dos de maio de 2025. O que não é sinónimo de estabilidade. Bem pelo contrário, o cenário é de enorme fragmentação, com os três maiores partidos separados por apenas dois pontos percentuais. Um empate técnico, tendo em conta a margem de erro de mais ou menos 3,53%. Ainda assim uma reviravolta.
O passivo-agressivo Carneiro e o pirotécnico Ventura
As piores notícias ficam para Luís Montenegro: a AD dá um trambolhão de seis pontos percentuais, passando dos 31,8% das legislativas para os 25,7% que lhe atribui agora a sondagem da Pitagórica. Um resultado que parece ser consistente com a avaliação que os portugueses fazem do Governo (58% dão-lhe nota negativa; 35% dão positiva) e do primeiro-ministro (59% desaprovam; 35% aprovam). Mesmo que cerca de dois terços (62%) acreditem que cumprirá a legislatura até ao fim.
Ao contrário, os dois principais partidos da Oposição têm motivos para festejar. A fórmula, por vezes contida, por vezes agressiva, de José Luís Carneiro permitiria aos socialistas um pulo de cinco pontos percentuais: dos 22,8% das legislativas para os atuais 27,9%. Quanto a André Ventura, o seu estilo “pirotécnico” permitiria acrescentar quatro pontos percentuais ao Chega, ou seja, dos 22,8% de maio de 2025 para os 27,1% de agosto de 2026 (tendo em conta as datas de recolha dos inquéritos).
Luís Neves sem condições para continuar no Governo
Haverá, eventualmente, uma relação entre os ganhos do partido da direita radical e a sua campanha, ao longo de todo o verão, contra o ministro Luís Neves. A sondagem da Pitagórica perguntou se o ex-diretor da PJ deve continuar a ser ministro da Administração Interna, depois das controvérsias em que se envolveu e a resposta é inequívoca: 65% dos portugueses defendem que não tem condições para continuar no Governo (apenas 28% lhe dão o benefício da dúvida).
Entre os restantes partidos com representação parlamentar, as diferenças são muito pequenas (e as previsões mais escorregadias, se tivermos em conta as margens de erro): a Iniciativa Liberal continuaria a ser o maior entre os mais pequenos, com 6,1% (crescimento inferior a um ponto percentual); segue-se o Livre, tal como nas legislativas, e com um resultado praticamente igual (4%); depois a CDU, coligação liderada pelos comunistas, a perder meio ponto (2,4%); o BE, pouco melhor do que em maio de 2025 (2,2%); e o PAN, também no mesmo patamar (1,3%).
Ministro da Educação salva-se do caos dos exames
Com a polémica a incidir sobre Luís Neves, um outro ministro salva-se in extremis de ser “demitido” do Governo: o caos na correção dos exames nacionais parecem ser já uma memória longínqua e 49% dos portugueses consideram que tem condições para se manter como ministro da Educação (47% dizem que não).
A sondagem faz, também, um ranking dos diferentes ministros. O campeão é Miranda Sarmento (Finanças), que consegue um saldo positivo de 9,1 pontos percentuais, tal como a sua colega do Ambiente, Maria da Graça Carvalho (as próximas semanas dirão se assim continua, tendo em conta a subida em flecha dos preços dos combustíveis). Paulo Rangel (Negócios Estrangeiros) e José Manuel Fernandes (Agricultura) são os senhores que se seguem, com um saldo positivo de 4,6 e 4,1 pontos, respetivamente.
Saúde é o que mais importa e a ministra não se safa
No fundo da tabela estão, sem surpresa, os ministros que têm os pelouros que têm estado na berlinda nos últimos meses, seja pelos falhanços, sejam pelas polémicas: Maria do Rosário Palma Ramalho tem um saldo negativo de 7,7 pontos (talvez por causa da insistência ou do chumbo do pacote laboral); Fernando Alexandre segue com um saldo negativo de 14,8 pontos (os exames ajudarão a explicar o resultado); e Luís Neves é castigado com um saldo negativo de 32,1 pontos (consequência provável dos atrelados, das piscinas e dos carros).
No entanto, quem está no fundo da tabela não é outra senão a ministra Ana Paula Martins. Os portugueses podem ter sido entretidos com os passos em falso do ministro da Educação e as informalidades do ministro da Administração Interna, mas não se deixaram distrair do que mais conta, que é a Saúde. Se não há médicos de família que cheguem, se ainda há urgências a fechar ou a meio-gás, quem paga a fatura é mesmo a ministra, que regista um saldo negativo de 37,1 pontos.
“Tracking poll” da Pitagórica atualizada todas as semanas
Acrescente-se, a terminar, que esta “tracking poll” é uma inovação da Pitagórica em Portugal. Nas duas últimas legislativas, a empresa fez, para o JN, a TSF e a TVI/CNN, uma sondagem em que, todos os dias, se somavam 200 novos inquéritos, que substituíam os 200 mais antigos. Desta vez a “tracking poll” para a TVI/CNN não é diária, passa a semanal, com 200 novos testemunhos a cada semana, e os 200 feitos quatro semanas antes eliminados. Uma forma de avaliar as principais tendências políticas, mais do que prever resultados eleitorais, uma vez que não parece haver possibilidade de uma ida às urnas nos tempos mais próximos.