Ribeira de Pena converte tradição em economia

Foto: Eduardo Pinto
Feira do Linho revela um concelho hoje mais próximo, turístico e socialmente equipado, que transformou acessos e qualidade de vida sem abandonar a identidade viva entre a serra e os rios.
A 26.ª Feira do Linho abre oficialmente hoje em Ribeira de Pena com cerca de 63 expositores, artesanato, gastronomia e animação. Criado em 1999, o certame mostra como o concelho transforma a tradição em economia e atração turística.
Numa mesa-redonda da TSF e do JN sobre os 50 anos do poder local, João Noronha, presidente da Câmara Municipal a cumprir o terceiro mandato, defendeu que o linho continua a ser “a marca identitária” do território. Em Cerva e Limões ainda se preserva o ciclo completo, da sementeira aos panos produzidos em teares de madeira, embora o número de artesãs tenha diminuído.
A autarquia apresentou uma candidatura para “reconhecer esta tradição como património cultural imaterial”. João Noronha espera que o nome de Ribeira de Pena fique imediatamente associado ao linho, matéria que já chegou à moda internacional pelo trabalho das tecedeiras locais.
A feira junta ainda produtores de outras regiões, espaços de comida e bebida, carne maronesa e vinho verde. O autarca destaca o investimento de jovens na viticultura concelhia e lembra que grande parte da raça maronesa está na serra do Alvão.
A preservação da identidade acompanha uma mudança profunda nas condições de vida. António Rodrigues, antigo presidente da Assembleia Municipal e vereador entre 1998 e 2001, recua até 1976 e recorda um concelho “muito fechado”, com acessos difíceis, poucos alunos e sem um metro de saneamento. “Estávamos longe de tudo”, resume.
João Noronha também recua no tempo e apresenta outra imagem desse isolamento: quando estudava em Lisboa, o expresso partia de Ribeira de Pena às 8 da manhã e chegava ao Campo Pequeno às 9 da noite. Hoje, a A7 colocou Ribeira de Pena a cerca de meia hora de Vila Real, Guimarães e Chaves. Frisa que “o concelho passou a estar ligado ao Mundo”.
A melhoria dos acessos ajudou a atrair visitantes, alojamento e investimento privado. Segundo o presidente da Câmara, Ribeira de Pena representa 24% das dormidas do Alto Tâmega e Barroso. O hotel local emprega cerca de 60 pessoas e equipamentos como o Pena Park Aventura, as zonas de lazer dos rios Póio e Beça reforçam a procura turística.
A resposta social avançou também com dois lares, em Santo Aleixo de Além-Tâmega e Santa Marinha, num investimento próximo de 7,7 milhões de euros. Cada equipamento terá 36 camas e deverá abrir entre o final de setembro e o início de outubro. Está ainda previsto um programa de 157 fogos de habitação social, avaliado em cerca de 25 milhões de euros.
Para António Rodrigues, a prioridade continua a ser criar condições para os jovens trabalharem, constituírem família e permanecerem no concelho, sem esquecer uma população envelhecida. João Noronha conclui que viver em Ribeira de Pena não significa prescindir dos serviços, da cultura e da qualidade de vida disponíveis nas cidades.