Passos Coelho admite regresso à vida política se PSD “não for bem-sucedido”

Numa entrevista exclusiva à SIC Notícias, a primeira em televisão desde que deixou o Governo, o antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho admitiu que, se o PSD não for bem-sucedido, pode avançar para uma candidatura ao partido. Insistiu ainda que o partido “tinha obrigação” de explorar um acordo de legislatura com o Chega e com a Iniciativa Liberal (IL).

Pedro Passos Coelho quebrou o silêncio em televisão. Questionado se vai voltar à política ativa, disse que regressa se o PSD “não for bem-sucedido”.

“Se equacionar, será para oferecer alguma coisa que não seja mais do mesmo”, afirmou Pedro Passos Coelho em “Maria João Avillez entrevista”.

Disse ter a expectativa de que o PSD possa vir a ser “bem-sucedido” na governação e que possa sair do que classificou como “armadilha política imensa” de fazer acordos com o PS e com o Chega, considerando que tal impede o executivo de fazer reformas mais profundas.

“Se eu tivesse de equacionar uma possibilidade dessas, teria de corresponder a uma situação em que o PSD, visivelmente, não tivesse a possibilidade de entregar um resultado satisfatório, de fazer aquilo que o país precisa e eu achar que o poderia fazer. E se isso vier a acontecer, eu ponderarei e tomarei a iniciativa, se for caso disso“, assegurou.

Ou seja, se o PSD estiver em risco de perder eleições, Pedro Passos Coelho admite voltar à politica.

  • Passos Coelho diz que Estado “não é suficientemente ágil nas decisões”

Na entrevista a Maria João Avillez, reforçou que “nesta altura, não está candidato a nada” e insistiu que, no início da legislatura, o PSD “tinha a obrigação” de ter tentado um acordo com Chega e IL para governar durante quatro anos.

Na mesma entrevista na SIC Notícias, descartou uma candidatura a Belém:

“Nunca pensei ser Presidente da República, é um lugar que não me diz nada, eu sou um executivo.”

  • “Passos Coelho tem um dom: quando fala, é ouvido e o país leva-o a sério”

Questionado sobre o presidente do Chega, reconheceu que André Ventura tem “bastante mérito” e que tem mostrado um “poder de iniciativa notável”. Porém, avisou para os perigos de o desresponsabilizar.

“Quanto mais se deixe o Chega fora de qualquer solução, mais provável é que o Chega se sinta muito à vontade para não ser testado nas ideias que está a defender. E para ganhar as eleições”, alertou.

  • Veja aqui a entrevista completa a Maria João Avillez na SIC Notícias.