Candidatos a Belém uníssonos na condenação da intervenção dos EUA na Venezuela

Foto: António Cotrim/Lusa
No primeiro debate que junta os 11 candidatos a Belém, que decorre esta noite na RTP, a maioria descreveu a ação norte-americana como grave violação do Direito internacional, que pode legitimar intervenções noutros territórios.
Marques Mendes disse ter-se tratado de uma “intervenção à margem das regras do Direito Internacional”, que comprova que as “Nações Unidas não funcionam hoje em dia”. Considera o candidato apoiado pela AD que um presidente da República tem que acompanhar a situação “de forma particularmente intensa” , nomeadamente a “situação dos portugueses”.
Henrique Gouveia e Melo considera que “esta intervenção foi claramente ilegítima” e que “um país de média dimensão como o nosso deve privilegiar as relações internacionais com base na Carta das Nações Unidas”. Entende o almirante que o próximo inquilino do Palácio de Belém “tem que acrescentar valor à governação como um todo”, apontando a sua preparação para o mais alto cargo da nação no atual contexto internacional: “Considero que estou bem preparado, tenho conhecimentos de geoestratégia e geopolítica”.
André Ventura foi a exceção na condenação à intervenção unilateral de Washington: “É ou não é bom ter um narcotraficante na cadeia? Como queriam que os venezuelanos se livrassem de um ditador que controla as Foças Armadas?”, atirou. “Eu quero é que um ditador acabe na cadeia”, disse ainda o líder do Chega.
Para António José Seguro, a “prioridade deve ser a preocupação com os portugueses que vivem na Venezuela”, assinalando que “houve uma violação da Carta das Nações Unidas e do Direito internacional”. O canditato apoiado pelo PS considera que “já devia ter sido convocada uma reunião de líderes da NATO” e que é necessário exigir “esclarecimentos a Donald Trump”.
Também para João Cotrim de Figueiredo a comunidade portuguesa na Venezuela “é a preocupação no imediato”. Tendo esta intervenção aberto a porta a que “na Gronelândia haja um problema grave”. Para Catarina Martins, “defender intransigentemente o Direito internacional é dar força à ONU”. Já António Filipe salientou que “não compete a um Estado intervir noutro para mudar o seu regime”, lamentando que o Governo português “não tenha condenado a grave violação, ao contrário da vizinha Espanha”. “Hoje foi a Venezuela, amanhã será a Gronelândia”, alertou o candidato apoiado pelo Livre, Jorge Pinto.