Carneiro exige à AD que decida entre dialogar com PS ou “colher tempestades”

Foto: Paulo Novais/Lusa
José Luís Carneiro exigiu, esta sexta-feira, que “a AD se decida” entre manter o “muro de silêncio com que recebe os contributos” do PS, enquanto faz acordos com a extrema-direita, e “abrir-se a convergências moderadas” com os socialistas. Em Viseu, disse a Montenegro que “se semear ventos, só pode colher tempestades”, garantindo que o PS não confunde “oposição com bloqueio” e deixando avisos sobre a eleição para o Tribunal Constitucional. Já num recado interno, defendeu que sejam transformadas “críticas em propostas”.
“Se tentarem desfigurar os equilíbrios do nosso sistema democrático, começando por tentar desequilibrar o Tribunal Constitucional, ouvirão da nossa parte um rotundo não. Não por cálculo partidário, mas por dever democrático”, avisou José Luís Carneiro, no 25.º Congresso Nacional do PS, que decorre até domingo.
O líder socialista defendeu que “cabe ao Governo aceitar ou não dialogar” com o PS. “Se escolher a via moderada” receberá “sentido de responsabilidade e abertura”. Porém, “se semear ventos, só pode colher tempestades”.
“Cabe ao Governo decidir se quer a via da moderação em que poderá contar connosco ou prefere capitular perante a demagogia e o populismo. É altura de exigirmos à AD que se decida. Se quer continuar o muro de silêncio com que recebe os nossos contributos enquanto chega a acordos com a extrema-direita ou abrir-se a convergências moderadas connosco. O PS é responsável e é firme”, afirmou ainda José Luís Carneiro.

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“Há linhas que não se negoceiam”
Nesse contexto, avisou que “há linhas que não se negoceiam. A Constituição não se relativiza. A democracia não se instrumentaliza”, prosseguiu. Foi então que prometeu o “rotundo não” a qualquer tentativa de desfigurar os equilíbrios do sistema democrático, desde logo no TC. “Não por cálculo partidário, mas por dever democrático”, assegurou.
Porque “o país tem de continuar a mudar” e “hoje enfrenta desafios novos”, afirmou que “a insegurança social, económica e política alimenta o populismo e a extrema-direita”.
“A nossa resposta é clara: rejeitamos uma política de divisão. Defendemos a coesão social, a justiça e a confiança no futuro. Divididos, desunidos, virando uns contra os outros, perdemos todos. Juntos avançamos.. A melhor resposta aos extremistas é a resolução dos problemas reais das pessoas. O PS nunca aceitará uma política baseada na divisão e no ressentimento”, prosseguiu o secretário-geral.
IVA zero e de 13% nos combustíveis e gás

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Aproveitou ainda o conclave para defender medidas enquanto persistirem os efeitos da guerra, nomeadamente IVA zero nos produtos alimentares essenciais, redução de 23% para 13% no IVA dos combustíveis e do gás, duplicação do consumo de energia tributada a 6% e isenção de ISP sobre o gasóleo para a agricultura.
Os recados para o interior do partido também não faltaram. “Todos contamos. Ouvir foi o primeiro passo. Estamos aqui para nos prepararmos para a ação. Saber ouvir o país implica assumir responsabilidades. Desafia-nos, aos socialistas, a transformar, também dentro do partido, silêncio em voz, críticas em propostas e diferenças em contributos”, desafiou Carneiro. E este Congresso de Viseu “é um ponto de partida para duas prioridades: modernizar o partido” e “renovar a sua proposta reformista para Portugal”.