Montenegro convicto que empréstimo à Ucrânia será aprovado “muito rapidamente”

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O primeiro-ministro manifestou-se esta quinta-feira convicto que o bloqueio da Hungria ao empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia vai ser superado “muito rapidamente”, salientando que todas as partes se comprometeram a reparar o oleoduto de Druzhba.
Em conferência de imprensa após a cimeira do Conselho Europeu, em Bruxelas, na qual a Hungria voltou a não levantar o bloqueio ao empréstimo à Ucrânia, Montenegro recordou que essa decisão foi aprovada por todos os líderes da União Europeia (UE) em dezembro e “não passa pela cabeça que a decisão não seja executada”.
“Não passa mesmo pela cabeça, não passará pela de nenhum governante de nenhum Estado-membro da União, porque isso seria, efetivamente, descredibilizar as decisões de um órgão que é um órgão máximo ao nível institucional da União Europeia (UE)”, afirmou, manifestando-se convicto de que a UE vai ser capaz de aprovar o empréstimo.
“Acredito que o estamos a fazer e acredito que algumas perturbações que haja nesse processo são superáveis e vão ser superadas, creio eu, muito rapidamente”, afirmou, referindo-se ao facto de a Hungria estar a bloquear o empréstimo à Ucrânia devido às reparações do oleoduto de Druzhba, que Budapeste acusa Kiev de estar propositadamente a atrasar para impedir a transferência de petróleo russo para a Hungria.
Segundo indicou Luís Montenegro, na cimeira de hoje houve um compromisso “de todos” para que essas reparações do oleoduto sejam céleres.
“Quando digo de todos, digo da Hungria, da União Europeia, da Comissão Europeia e digo também do presidente Zelensky. E, portanto, esse ruído creio que poderá acabar tão rapidamente quanto essa reparação poder estar efetivada”, afirmou.
O primeiro-ministro referiu ainda que, na reunião desta quinta-feira, houve uma “massiva tendência” nas declarações dos diferentes chefes de Estado e de Governo da UE para que a Hungria assuma as suas responsabilidades, tendo em conta que aprovou o empréstimo em dezembro.
“Houve uma reafirmação, enfática se quiser, dos princípios de respeito pelas decisões que são tomadas”, disse.
Depois de, nesta cimeira, os líderes terem voltado a fazer um apelo para que se regresse à diplomacia para resolver a guerra no Irão, Luís Montenegro foi questionado se espera que as três partes envolvidas – Estados Unidos, Israel e Irão – sejam sensíveis a esse apelo.
“Acredito que sim. A retoma das negociações, a capacidade de diálogo diplomático é a via para podermos ultrapassar uma situação que é prejudicial para todos”, disse.
Nesse contexto, Montenegro defendeu que a UE deve “contribuir com a sua influência, com o seu papel de intervenção na cena internacional, dialogando com as partes envolvidas e projetando também soluções que possam contribuir” para não “promover uma escalada, mas para diminuir o nível de conflitualidade”.