Aritmética e êxtase repetitivo no piano e voz de Wim Mertens

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Compositor minimalista dá um concerto ao vivo esta segunda-feira na Casa da Música, no Porto.
É quase punitiva, mas estranhamente reconfortante, a forma rigorosa e matemática como Wim Mertens manipula o tempo.
Quem entrar esta segunda-feira à noite na Sala Suggia não vai entrar apenas num concerto; vai submeter-se a um sistema de engrenagens sonoras onde o minimalista belga atua como um solvente para a ansiedade moderna.
Wim Mertens, com o seu piano e aquela voz de contratenor que parece emanar de uma frequência rádio não sintonizada, cria estruturas que se repetem até que o significado das notas se dissolva, deixando apenas uma vibração puramente física no ar.
A arquitetura da Casa da Música servirá de caixa de ressonância para esta obsessão rítmica, transformando o público num conjunto de variáveis estáticas dentro de uma equação de beleza circular em asfixia melódica.
É, em última análise, um exercício de paciência e geometria acústica que nos obriga a encarar o vazio entre cada nota com uma lucidez vagamente aterradora.
O espetáculo começa às 21 horas. O preço dos bilhetes vai dos 35 aos 45 euros.